quinta-feira, 17 de março de 2016

A dicotomia da dor...

Acho tão bonito o processo de criação de uma pérola, a ostra ferida por um grão de areia cria um mecanismo de "cura" fazendo assim uma linda "jóia".
Queria eu conseguir transformar minhas dores em preciosidades, mas já adianto meu pedido de desculpas, fui criada pra sangrar, ah... e sangro, sofro, choro, esperando o dia que talvez todas as feridas cicatrizem.
E hoje, aqui ferida, sangrando e sozinha percebo que a dicotomia alma/corpo e toda sua discussão filosófica, para mim pouco importa dado o momento em que a dor se torna tão visceral que não há como separar....não há como perceber a subjetividade e a boa intenção de certas atitudes, quando, por causa delas  o choro da alma se confunde com a lágrima dos olhos... e o pedido, aliás, o clamor e/ou súplica que sai de cada parte do meu corpo é que todo esse caos que me transformei transfigure-se em uma calmaria nunca antes sentida...
E que sejam ouvidas como uma prece essas minhas últimas palavras...
Que eu continue acreditando no amor e nas pessoas e que um dia eu volte acreditar ser digna de sentir qualquer sentimento puro que não me derrube ao chão, como folha no outono, linda, mas descartável, por assim dizer; que os olhos que me querem derrubar não me enxerguem, e que até mesmo mãos que queiram me levantar não me alcancem ...pois a unica mão que seria capaz de me resgatar foi a que me lançou ao chão.
O que emana dos meus poros hoje ainda é o amor, e ele continuará por aqui durante muto tempo, talvez um dia passe, ou não ... enquanto nada acontece me permito ficar quietinha, sendo ostra e transformando minhas dores nas minhas pérolas....


Angel Amaral
16/03/2016

Nenhum comentário:

Postar um comentário