Queria eu conseguir transformar minhas dores em preciosidades, mas já adianto meu pedido de desculpas, fui criada pra sangrar, ah... e sangro, sofro, choro, esperando o dia que talvez todas as feridas cicatrizem.
E hoje, aqui ferida, sangrando e sozinha percebo que a dicotomia alma/corpo e toda sua discussão filosófica, para mim pouco importa dado o momento em que a dor se torna tão visceral que não há como separar....não há como perceber a subjetividade e a boa intenção de certas atitudes, quando, por causa delas o choro da alma se confunde com a lágrima dos olhos... e o pedido, aliás, o clamor e/ou súplica que sai de cada parte do meu corpo é que todo esse caos que me transformei transfigure-se em uma calmaria nunca antes sentida...
E que sejam ouvidas como uma prece essas minhas últimas palavras...
Que eu continue acreditando no amor e nas pessoas e que um dia eu volte acreditar ser digna de sentir qualquer sentimento puro que não me derrube ao chão, como folha no outono, linda, mas descartável, por assim dizer; que os olhos que me querem derrubar não me enxerguem, e que até mesmo mãos que queiram me levantar não me alcancem ...pois a unica mão que seria capaz de me resgatar foi a que me lançou ao chão.
O que emana dos meus poros hoje ainda é o amor, e ele continuará por aqui durante muto tempo, talvez um dia passe, ou não ... enquanto nada acontece me permito ficar quietinha, sendo ostra e transformando minhas dores nas minhas pérolas....
Angel Amaral
16/03/2016
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