segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Meu Papel no Mundo

Quando eu era criança minha maior preocupação era minha mãe não me colocar de castigo (mas ficava muito) e o resto era felicidade eterna. Sim, eu era muito mais feliz quando era criança. Acho que todos nascemos muito felizes, no processo é que tudo vai se complicando.

Na fase adulta, o ser humano precisa tomar atitudes e decisões sobre a sua vida. Existir, ser, ter; tudo depende do que escolhemos. Não é mais uma brincadeira inocente, é uma competição! A fase adulta nos obriga a ser algo perante uma sociedade opressora, consumista, preconceituosa e acima de tudo, padronizada. Quem não é como o que se julga normal já está na contra-mão. Vai nadar contra uma correnteza violenta, e é obrigado a nadar, senão se afoga.

Eu tive que escolher muita coisa e infelizmente assim, renunciar outras. Lá pelos meus 18 anos eu tentei descobrir qual era o meu papel no mundo, o que eu poderia fazer para contribuir com a humanidade, qual seria a minha profissão, meus relacionamentos e tudo mais que fosse opcional. A vida dita que sigamos em constante crescimento e evolução. Ser alguém lhe é imposto. Ficar parado, inerte, co-existir, não interagir e ser diferente quase ofende quem se esforça tanto pra sobreviver.

Não quero uma vida tão urgente quanto uma manchete de jornal, nem tampouco uma vida pálida que poderia se dizer banal. Quero uma vida ao estilo sessão da tarde, pois acho que o meu papel é ser esse filme que ninguém repara, até um pouco démodé, mas que nunca para de passar.

- Vinícius de Souza

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